Casos de agressão contra crianças são mais comuns do que se imagina

Dados do Ministério da Saúde mostram que cinco crianças são vítimas de agressão a cada dois dias



O caso da menina Isabella, morta na noite de 29 de março em um apartamento da Zona Norte de São Paulo, deixou todo o país chocado. Depois de muitas investigações, a polícia suspeita que os culpados deste crime sejam o pai e a madrasta da menina. Este tipo de violência contra a criança naturalmente gera uma comoção nacional, mas o que a maioria não sabe é que estes casos são mais comuns do que se imagina. Pesquisas mostram que a cada dez horas uma criança é assassinada no Brasil. Cinco crianças são vítimas de agressão a cada dois dias

Os números são alarmantes e as causas de morte são várias: arma de fogo, morte provocada por objetos cortantes, estrangulamento e sufocação. Espancamento está entre as principais causas. Além da violência doméstica, são cada vez maiores os casos de filicídio, ou seja, assassinato de um filho por seus pais (inclusive pais adotivos). Este tipo de crime é uma das principais causas de morte em crianças menores de um ano. Hoje, casos como este são considerados até questão de saúde pública. Além do chamado período puerperal, ou seja, momento logo após o parto de uma criança que pode causar transtornos e depressão na mãe, existem outros motivos registrados para o filicídio, como é o caso da violência doméstica.

Dados oficiais do governo norte-americano (Center on Child Abuse and Neglect) referentes a crimes intencionais mostram que o filicídio ocorre por espancamento e agressão física em quase dois terços dos casos e por negligência nos cuidados de manutenção da vida em 3,1% dos casos.

Para falar sobre este assunto disponibilizamos o médico psiquiatra forense Dr. Daniel Martins de Barros, diretor técnico da Visum Consultoria, empresa especializada em medicina forense e que atua em todo o território nacional. Abaixo o mini cv do médico.



Dr. Daniel Martins de Barros é médico formado pela Faculdade de Medicina da USP e pós-graduado em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC). Atualmente é médico coordenador do Núcleo de Psiquiatria Forense (Nufor) do IPq. Também é responsável pela preceptoria da Residência Médica em Psiquiatria Forense do IPq. Atua ainda como supervisor dos médicos na parceria IPq - Fundação Casa (ex-Febem), que presta assistência psiquiátrica e subsidia a justiça na aplicação da medida sócio-educativa. Atualmente coordena a equipe de profissionais da Visum Consultoria, empresa especializada em medicina forense.
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